O que é pré-diabetes e por que isso é importante

 

 

O que é pré-diabetes e por que isso é importante

 Por Monique Tello, MD, MPH

 

Quando estou vendo um novo paciente fico atenta, especialmente, a determinadas partes de sua história. Eles têm um histórico familiar de diabetes significante? Eles são de etnia latina, asiática, nativa americana ou afro-americana? Eles tiveram diabetes na gravidez? Eles estão com sobrepeso ou obesos? Eles têm síndrome dos ovários policísticos (SOP)?

Por que eu me importo com essas coisas? Porque elas podem indicar o risco de se contrair, no começo da idade adulta, o diabetes tipo 2 que pode levar o paciente a ter vários problemas médicos na fase adulta.

Muitas pessoas já ouviram falar do diabetes tipo 2, uma doença onde o corpo perde sua capacidade de otimizar os níveis de açúcar no sangue. O diabetes no início da fase adulta, geralmente, afeta as pessoas com fatores de risco conhecidos e pode demorar anos para se desenvolver completamente, ao contrário do diabetes juvenil (tipo 1), que pode se desenvolver de forma aleatória e rápida.

 

Aqui está a razão de açúcar elevado no sangue ser um problema

O diabetes não tratado ou tratado de forma incorreta, significa persistência de altos níveis de açúcar no sangue, que podem causar bloqueios arteriais horríveis, resultando em acidentes vasculares cerebrais e ataques cardíacos. Os açúcares elevados no sangue causam também a lesão periférica que afeta as pernas, os pés, os dedos do pé, as mãos e os braços podendo causar formigamento, dor ou ardência. A lesão periférica combinada com os bloqueios arteriais, podem resultar em deformidades e na morte dos tecidos, razão pela qual muitas pessoas com diabetes terminam sendo amputadas. Os pequenos vasos sanguíneos da retina também são afetados, o que pode causar cegueira. E não se esqueça dos rins, que são especialmente suscetíveis aos danos causados ​​pelo alto nível de açúcar no sangue. Diabetes é uma das principais causas de insuficiência renal que necessita de diálise e/ou transplante renal.

Mas espere! Tem mais. A hiperglicemia prejudica a função dos glóbulos brancos, fundamental para um sistema imunológico saudável, e o açúcar é uma grande fonte de energia para as bactérias e fungos invasores. Esses fatores colocam as pessoas em risco de infecções desagradáveis ​​de todos os tipos.

Esses fatos me assustam. Não só porque eu sou a médica que ajudo a gerenciar essas questões nada interessantes, mas porque eu sou de descendência latina e o diabetes acontece na minha própria família. Estou em risco, também.

Então o que podemos fazer? Se sabemos que corremos risco de diabetes e que isso leva anos para se desenvolver, devemos ser capazes de preveni-lo, certo? Certo!

 

Evitando que o pré-diabetes se torne diabetes

Um artigo recente e detalhado feito por especialistas em endocrinologia revela que o pré-diabetes é uma epidemia. O pré-diabetes é definido pelos níveis de açúcar no sangue em jejum entre 100 e 125 mg/dl ou um resultado anormal em um teste oral de tolerância à glicose (curva glicêmica). O que podemos fazer para tratar o pré-diabetes? Os autores analisaram vários estudos de grande amplitude, bem conduzidos e todos mostraram que o pré-diabetes pode ser direcionado e o diabetes adiado ou evitado.

Um dos estudos mais amplos foi conduzido aqui nos Estados Unidos. Cerca de 3.000 pessoas de 27 centros que apresentavam sobrepeso ou eram obesos e tinham pré-diabetes foram classificados aleatoriamente em um dos três grupos:

1.  Recomendações de estilo de vida padrão mais a medicação metformina;

2.  Recomendações de estilo de vida padrão mais uma pílula placebo (administrada a pessoas ou grupo de pessoas como se tivesse propriedades terapêuticas;)

3.  Um programa intensivo de modificação do estilo de vida.

O programa intensivo incluiu aconselhamento dietético individualizado, bem como, instruções para caminhar rapidamente ou fazer outro exercício que perfaça 120 minutos por semana, com o objetivo de alcançar alguma perda de peso modesta.

Os investigadores acompanharam os indivíduos durante três anos e os resultados foram consistentes em comparação a muitos outros estudos: as pessoas do grupo de modificação do estilo de vida intensivo (aconselhamento nutricional e orientação de exercícios) ficaram muito menos propensas a desenvolver diabetes nesse intervalo de tempo do que aquelas dos outros dois grupos. Quer números? A incidência cumulativa estimada de diabetes em três anos foi de 30% para o placebo, 22% para a da medicação recomendada e 14% para a modificação do estilo de vida. A incidência de diabetes foi 39% menor no grupo de modificação do estilo de vida do que no grupo em que foi recomendada a medicação. Na realidade, eles encerraram o estudo mais cedo porque foi considerado antiético, devido os indivíduos dos grupos placebo e da medicação terem recebido tratamento adequado, enquanto que, os que receberam o programa para modificação do estilo de vida não obtiveram o mesmo tratamento.

Os autores que efetuaram a revisão dos resultados dos estudos, também atentaram para uma multidão de outros estudos que mais se aproximaram, como os dos tipos de dietas úteis e concluíram que "O consenso é que uma dieta rica em grãos inteiros, legumes, frutas, gordura monoinsaturada e muito pouca gordura animal e trans, além de, muito pouco consumo de açúcares beneficiados é benéfica juntamente com a manutenção do peso corporal ideal e um estilo de vida ativo."

Realmente, é somente uma questão de bom senso. É por isso que meu marido e eu limitamos a nossa ingestão de açúcar e carboidratos, a porções de alimentos à base de plantas diariamente e exercício.

Tome uma atitude!

 

Fonte: http://www.health.harvard.edu/blog

Tradução: Adelson Alves

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