Novas diretrizes para a prevenção de alergia do amendoim em bebês

Tudo o que um bebê vê pela frente, intuitivamente, vai parar na boca. Ele age como se quisesse conferir características de gosto e textura além das percebidas pelas pontas dos dedos. O que os antigos dizem ser bom para desenvolver a imunidade deixa as mães de primeira viagem em pânico. Entre os especialistas, a recomendação para o caso gira em torno das alergias. Bebês com risco de desenvolver o problema devem ficar longe do alimento ameaçador durante toda a primeira infância e, só depois, experimentarem a inserção controlada, recomendam as sociedades médicas. Um novo trabalho do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIH) dos Estados Unidos, porém, traz nova e polêmica orientação: o melhor é deixar rolar.


A pesquisa — publicada na renomada revista científica New England Journal of Medicine e apresentada no fim deste mês na reunião anual da Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia, em Los Angeles — tem potencial para mudar alguns paradigmas. Segundo a equipe liderada por Gideon Lack, do Kings College London, o consumo de um alimento na infância pode prevenir a alergia na criança. Os resultados do experimento envolvendo cerca de 600 crianças com quatro a 11 meses de idade e alto risco de desenvolver alergia foram surpreendentes. A introdução de produtos de amendoim na dieta delas, além de segura, levou à redução de 81% no posterior desenvolvimento do problema.

O trabalho, intitulado “Aprendizagem precoce sobre alergia ao amendoim” (LEAP), baseou-se em observações de que as crianças israelenses apresentam menores taxas de alergia ao amendoim em comparação às judias, de ascendência semelhante, mas que residem no Reino Unido. A proposta focou no fato de que, diferentemente dos pequenos no Reino Unido, os israelitas começaram a consumir alimentos com amendoim no início da vida.

Os bebês foram divididos em dois grupos, de acordo com a estratégia para prevenir o problema: o consumo de pelo menos 6g por semana ou a retirada do amendoim da dieta. Segundo Lack, eles excluíram as crianças que mostraram cedo fortes sinais de reação alérgica. “A segurança e a eficácia do consumo precoce nesse grupo permanecem desconhecidas e requerem um estudo mais aprofundado”, justifica o pesquisador. As crianças foram monitoradas até completarem 5 anos, e houve redução total de 81% de alergia ao amendoim nas que começaram cedo o consumo contínuo do alimento em comparação às que o evitaram completamente.

Até 2008, diretrizes de prática clínica em todo o mundo recomendavam evitar alimentos potencialmente alergênicos na dieta de crianças em situação de risco aumentado. Hoje, pode-se fazer a partir dos 2 anos. Segundo Daniel Rotrosen, diretor da Divisão de Alergia, Imunologia e Transplante do NIH, todos os estudos recentes, até o LEAP, não mostram benefício com a opção de evitar o alergênico. “O LEAP é o primeiro a mostrar que a introdução precoce do amendoim na dieta é realmente benéfica e identifica uma abordagem eficaz para gerenciar um grave problema de saúde pública”, pondera.

 
Valdo Virgo/CB/D.A Press
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EXPECTATIVAS

Esta é uma grande mudança no aconselhamento em relação a dietas para bebês. "Estamos próximos de poder esperar prevenir um grande número de casos de alergia a amendoim", disse o médico Matthew Greenhowt, do Colégio Americano de Alergia, Asma e Imunologia e membro do grupo designado pelo NIH para criar as novas diretrizes. Essas recomendações são baseadas em pesquisas que constataram que a exposição precoce ao amendoim tem mais chance de proteger os bebês de desenvolver alergias no futuro do que de prejudicá-los. As diretrizes detalham exatamente como o alimento deve ser introduzido na alimentação dos bebês. O método muda dependendo se o bebê faz parte de um grupo de alto, médio ou baixo risco para desenvolver esse tipo de alergia. Bebês em alto risco precisam passar por consulta médica antes de iniciar essa exposição ao alimento. 

Os bebês não devem receber o amendoim inteiro, pois isso representaria um risco de engasgo. A recomendação é dar a eles uma versão diluída de manteiga de amendoim, por exemplo. Nos Estados Unidos, a alergia a amendoim é um problema crescente. Antes, pediatras aconselhavam que pais evitassem dar amendoim para as crianças até a idade de 3 anos, o que não foi eficaz, levando a recomendação a ser abandonada.

Pais, os senhores colocariam o amendoim na dieta do seu bebê?

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