Como eu vejo a educação

 

 

 

Fiquei desempregado quando minha filha mais velha tinha 10 anos e se encontrava na quinta série do ensino fundamental (primeiro grau na época) e meu filho tinha quatro anos e fazia alfabetização.

O país atravessava um momento crítico após a era Color. Cito aqui para enfatizar aquilo que muitos de nós vivenciamos.

Por isso, fiquei muito tempo desempregado e no ano seguinte, não pude matricular eles e fui obrigado a retirá-los das escolas particulares. Não me interessei em matriculá-los em escola pública, pois minhas experiências como estudante nelas foram desanimadoras.

Bem, a partir daí procurei uma solução para compensar o problema. Procurei verificar na LDB (Lei de Diretrizes e Bases) de que forma eu poderia orientá-los, a fim de que eles pudessem integralizar o ensino básico obedecendo o regulamento.

Com o meu filho não tive problema nenhum. Mas com a minha filha, que já tinha concluído a 5ª série, a deixei sem estudar durante um período. Só depois foi que ela retomou os estudos.  A finalidade, foi desintoxicá-la dos métodos que já tinham sido assimilados.

Eu dividi as matérias em dois grupos:

1º grupo: Matemática, português, inglês, geografia e história. Vejam que essas matérias são familiares desde o início do aprendizado, exceto inglês para nós. Então, três anos foi o suficiente para concluir todo o conteúdo programático do ensino básico.

2º grupo: Matemática, Física, Química e Biologia. Como essas matérias, exceto biologia, são basilares da minha formação em exatas eu os orientava. Já as outras matérias, minha mulher e eu nos revezávamos estudando com eles, como se fôssemos colegas. Obrigatoriamente, incluí novamente matemática nesse grupo, pois Física, Química e Biologia (principalmente genética) utilizam dos conhecimentos matemáticos para fundamentarem seus princípios. Quanto as outras matérias eram revisadas, paralelamente, para fixação e aprofundamento. Foram mais três anos.

Como podemos observar meus filhos se prepararam durante seis anos, a fim de se qualificarem para o ensino de nível superior, além de concursos para empregos tanto público, quanto privado.

A fixação dos assuntos de cada matéria era feita, através dos exercícios extraídos de diversos livros e os testes destinados à aplicação dos conhecimentos adquiridos, eram extraídos de questões de vestibulares.

Quanto ao tempo de realização dos exercícios e testes ficavam condicionado ao seguinte:

1.    Três minutos para cada exercício;

2.    Dois minutos para cada questão.

A vantagem era que quanto mais eles se empenhassem mais tempo para diversão eles teriam e ficavam condicionado ao:

1.    Aproveitamento mínimo de 85% nos exercícios;

2.    Aproveitamento mínimo de 80% nos testes.

Se, esse percentual não fosse atingido eles teriam que identificar os motivos pelos quais não atingiram o resultado combinado e revisá-los até que fosse atingido uma compreensão razoável do assunto. Se o resultado fosse atingido, posteriormente, sentávamos para verificar o motivo do erro

Eles são pessoas normais, mas adquiriram o autodidatismo. Fizeram os testes designados pela Secretaria da Educação tanto do Ensino Fundamental quanto do Ensino Médio e conseguiram aprovação, sendo que a menor nota obtida foi 6,0 (seis) em Biologia e em Inglês. Em paralelo, fizeram vestibulares, concursos públicos e foram bem-sucedidos.

Alguém pode estar pensando que nós somos pessoas acima da média. Isso não é verdade, pois tanto minha mulher, meus filhos e eu só estudamos com o objetivo de atingir um padrão de vida mais digno, já que nossa origem é bastante humilde e, não por gostarmos de estudar.

Falou-se muito que eles teriam problemas no futuro devido à falta de convivência com outros estudantes, a interatividade e outras milongas, assim como, as velhas sopinhas de letras que não podem faltar no cardápio. Mas quem tem que educar somos nós, pais, e quanto a convivência é exercitada no ambiente da comunidade. Se nós não conseguimos conviver de forma aceitável com os nossos vizinhos, aonde mais poderíamos conviver?

A vizinhança, exige múltiplas habilidades e ensina, principalmente, a nos destituirmos dos preconceitos, complexos, bem como, usar da habilidade política, se desejarmos viver em paz e com tranquilidade que nos premiam com o bem-estar.

Particularmente, aqui em nosso país, sempre que se fala na reforma da educação, os falsos interessados no desenvolvimento das nossas crianças, dos jovens e, consequentemente, do nosso país só falam em aumento de verba. Possivelmente, a verba destinada à educação no Brasil hoje daria para pôr o país nas primeiras posições no ranking mundial. Será que essa verba chega realmente ao seu destino?

Lembro-me que, uma determinada aluna no desvario de querer me desequilibrar em sala de aula, falou o seguinte: “Nós pagamos impostos muito alto e com esses impostos lhe pagamos muito bem para termos uma educação de qualidade. Você só é professor porque não tem nenhuma qualificação para fazer algo útil...”

 

POR QUE O BRASILEIRO LÊ TÃO POUCO

Em 2015, o Brasil tinha 188 milhões de habitantes com mais de cinco anos, conforme estimativa populacional do IBGE. Considerando que a partir dessa idade os indivíduos têm potencial para ser leitores, é possível fazer um interessante cálculo, cruzando os dados demográficos com a última edição da pesquisa "Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro" (Fipe-USP/CBL/SNEL).

No ano passado, foram vendidos 389,27 milhões de livros no país. Dividindo-se esse número por 188 milhões, temos média de 2,07 exemplares/ano por brasileiro com mais de cinco anos. Esse total, contudo, inclui os 134,59 milhões de unidades compradas pelo governo. Se efetuarmos a conta apenas com os 254,68 milhões de exemplares...

 

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